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 23 / 11 / 2015 A autoestima: um fluxo turbulento

Luis Hornstein*

O sujeito está aberto para os acontecimentos de sua história, não apenas baseado no seu passado,mas também para os fatos da sua atualidade. Encontra-se entre a repetiçãoe a liberdade. Como diz Henri Atlan (1979): entre o vidro e a fumaça. O sujeito é como um sistema aberto aos outros e ao futuro. Então, estamos condenados a voltar sempre a pensar; e frequentemente a pensar pela primeira vez.

Nem a criança nem aqueles que a criam são uma estrutura imutável nem tampouco um caos de acontecimentos. Não se trata de sorte ou azar, mas entender tanto o que permanece como o que muda. É compreender estabilidades e acontecimentos.

Nós todos temos feridas em nossa autoestima, porque tivemos de lutar na escola, em casa , no trabalho, nos espaços de lazer. Civilizado ou selvagem, são muitas as escaramuças e dificilmente saímos ilesos. Ainda que ficássemos bem quietinhos em casa, mesmo assim não seria possível nos livrarmos das vicissitudes da autoestima. O que está feito está feito. No entanto, algumas pessoas têm baixa tolerância à frustração e , por vezes, o ataque é tão forte, tão enorme , que é um desafio mesmo para indivíduos com boa autoestima. Agitando prateleiras.

Identifiquemos o inimigo. De onde vem o ataque? Como faremos para nos defender? Nem o surto de dengue é igual a todos. Circunstâncias atuais: “Minha relação conjugal está péssima e fui despedido do meu emprego. Como você quer que eu me sinta?". Contexto-familiar: "Meu pai via problema em tudo. Ele fazia tempestade em copo d´água”. Poderíamos dizer: Está chovendo no molhado". Ou seja, o prejuízo é tanto uma ferida como um insulto. A fonte anterior não parece suficiente para absorvê-la.

A infância: do desamparo à autonomia

A infância consiste em propiciar à criança sua primeiras raízes (para crescer) e depois asas (para voar). Nas primeiras relações, um bebê pode experimentar a segurança ou então o terror e a instabilidade. Posteriormente, a criança pode ter a experiência de ser aceito e respeitado ou ser rechaçado. Algumas crianças vivenciam o equilíbrio entre proteção e liberdade. Outras, uma superproteção que as infantiliza. Pais que oferecem o peixe em vez de ensinar a pescar. Outras estão menos protegidas, ou ainda, superexigidas, sendo colocadas em um bote em alto-mar.

A criança nasce totalmente indefesa. O recém-nascido não se percebe como unidade. A tarefa primária consiste alcançar esta unidade. Este processo pode ser frustrante, bloqueado ouse desvirtuar, de forma a ficar detido em algum estágio mais infantil.

As crianças descobrem que possuem valor porque seus progenitores as tratam com afeto e porque certos valores vão sendo reforçados. Estas crianças aprendem a tratar com respeito a si mesmas porque observam como seus pais se comportam com elas e com as outras pessoas. Reciprocamente, as falhas na autoestima geralmente se originam na indiferença parental, nos atos de desprezo ou nos maus-tratos.

A autoestima é uma energia psíquica, energia renovável, uma bateria recarregável. Quem carregou nossa bateria pela primeira vez? Os paisou aqueles que ocuparam seu papel. Uma pessoa, pode reservar a energia inicial para si e depois dispender energia para as outras pessoas ou amar tambémos outros, gerando o dar e o receber.

Observemos uma mãe com seu recém-nascido. Que avidez do bebê! Que generosidade tem a mãe! Nele há apenas a necessidade imperiosa; nela notamos sua transfiguração em pura ternura. A humanidade se origina ali, criando o amor. O bebê exige; a mãeoferece. Nele está o prazer corporal; nela, a alegria. O amor nos precede e nos ensina a amar e a nos amar.
O bebê responde de acordo com a forma em que outros significados requerem sua presença e suas conquistas. A eficácia depende do modo pelo qual a criança responde aos outros; porém, sua valoração depende do modo em que os demais respondem diante da criança.

Donald W. Winnicott, observou em seu trabalho que alguns bebês entravam em pânico se a mãe se distanciava, mesmo sendo por apenas um minuto.
Outros psicanalistas, em contrapartida, defenderam a “capacidade do bebê de estar só”. Não apenas suportam o distanciamento como parecem desfrutá-lo.

No adulto há algo daquele bebê que foi no passado.
O bebêfica sozinho por alguns momentos. Por alguns minutos os pais, a avô ou o cuidador o deixa só. Todavia, sem caminhar, vai aprendendo a andar pela vida, a praticar trekking. E enquanto está sozinho, ocorrem coisas relacionadas com esses seres que tem ao seu redor. Em determinado momento precisou se dar conta de que esses seres magnânimos, que à vezes estão por perto e outras o deixam sozinho, poderiam não voltar ou não lhe alimentar, ou mesmo poderiam olhá-lo de outra forma. E assim o bebê vai desconstruindo sua onipotência.

As grandes depressões e as alterações de humor geralmente derivam de um discurso familiar no qual prevaleceu uma atitude crítica e inibidora para coma criança. Não estamos condenados por esseolhar cruel. Se nos tornarmos condenados é porque não tivemos posteriormente oportunidades de substituí-las ou não soubemos aproveita-las. Também é certo que ao longo da vida devamos descartar mensagens eolhares que reforçariam este discurso que transmite insatisfação consigo mesmo.

O perturbador não é receber questionamentos, mas sim recebê-los de maneira constante. A atitude hipercrítica é mais nociva quando não está equilibrada por olhares benevolentes. Essahipercrítica obedece a um perfeccionismo patológico. Às vezes pode ajudar a se conseguir os objetivos num âmbitomais limitado e bem definido, porém com um custo emocional muito elevado. Contudo, podemos refletir em qual valor há nos êxitos dentro de um ambiente tóxico?

*Presidente da Sociedad Psicoanalitica del Sur (SPS) e da Fundación para el Estudio de la Depresión (Fundep). Ganhador do prêmio Konex de Platina: 1996-2006-Psicanálise. Professor convidado de pós-graduação em diversas instituições da Argentina e exterior.

 

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