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 24 / 04 / 2018 Depressão e Frescura: Uma Relação Possível e Necessária

Eduardo Amaral Lyra *

Nós, seres humanos, somos seres de aprendizado emocional lento. Nascemos prontos para aprender mas não nascemos prontos para viver e conviver. Um rato, não importa onde nasça, sabe como cuidar de seu medo. Nós não: precisamos aprender a lidar com o medo, e demais emoções, durante o curso de nossa existência sem nunca estarmos completamente prontos.

Se, de um lado, os avanços tecnológicos dos últimos 30 anos nos deixaram deslumbrados com nossa capacidade inventiva, por outro atropelaram os avanços nas áreas do conhecimento de nossa condição humana. Quando olhamos para a tela de nosso smartphone ou tablet, nos deixamos ficar hipnotizados pelo brilho, cores e possibilidades – talvez também por nosso sombrio reflexo na tela - e perdemos o olhar para o que nos mobiliza, emociona, faz viver e faz sofrer. Torna-se simples e rápido esquecermos de nossa condição humana e o sofrimento a ela inerente.

Não é de espantar que mesmo sendo a depressão o tema de saúde pública que mais cresce em dimensão e importância ao redor do mundo, esta ainda seja vista de forma preconceituosa e, muitas vezes, pejorativa: o deprimido está, na verdade, com “frescura”. “Falta vontade” para aquele que se queixa de estar deprimido; “falta arrumar o que fazer”; “falta preocupação na vida”. Outra forma ainda mais violenta de preconceito é classificar o deprimido como doente no sentido de fraco, problemático.

Longe de representar uma falta – contrariamente a esses preconceitos populares –, a depressão é, em realidade, um excesso. Excesso daquilo que é velho, putrefato. Depressão é pouca frescura e muito mofo criado, às vezes, ao longo de anos de guarda de algo cujo prazo de validade já expirou, mas que permanece lá por uma tentativa desesperada da pessoa de resolver sozinha a questão, tentativa esta reforçada pelo preconceito; uma coisa reforçando a outra num enlace funesto de quem o deprimido é a maior – embora não a única – vítima.

Aqueles que apresentam sinais da depressão enfrentam conflitos invisíveis para quem vê de fora; de fora, vê-se apenas alguns dos sintomas da depressão: isolamento, retraimento, lentificação, empobrecimento das expressões afetivas, diminuição do interesse em eventos prazerosos e divertidos – ou, inversamente, incessante busca por prazer e exposição – dificuldade de condução das rotinas da vida.

Isto que não é visto de fora tem uma expressão interna brutal. A pessoa está sob o peso gigantesco de cobranças, exigências, dúvidas estéreis, ruminações que confunde com pensamentos. O silêncio que demonstra para fora é inversamente proporcional ao barulho interno, muitas vezes enlouquecedor, que dificulta ou impede o sono, o prazer, a descontração, o foco, a vida, o desejo.

É como tentar ouvir uma sinfonia ao lado de uma britadeira. Além de impossível, tremendamente irritante; a britadeira abafa a delicada sinfonia humana que possibilita o viver.

Em algum grau, todos nós temos momentos deprimidos ao longo da vida; algumas vezes, ao longo de um dia. Depararmo-nos com essa realidade pode ser difícil e chocante, o que faz com que aqueles ao redor do deprimido tenham reações que vão desde uma necessidade desesperada de ajudá-lo a acabar com sua depressão até, o mais comum, negarem, através do preconceito, por exemplo, o estado deprimido no outro; assim fazendo, negam em si seus aspectos deprimidos e pensam se safarem dessa.

Tais atitudes, mais do que levarem o deprimido a agravar sua condição, impedem ou dificultam que aconteça e se construa uma relação, um vínculo. Impede a pessoa de falar e ser escutada. Este é o vínculo de que depende nossa condição humana e que tanto tem sido negligenciado.

Permanecemos aprisionados em nós mesmos. Não falamos e ao não falarmos de nós para e com o outro mantemos ambas as partes no isolamento da não relação.
Por isso depressão é frescura de menos. O deprimido requer, para cuidar de sua depressão, de mais frescura – no sentido do frescor e leveza -, de mais respeito, aceitação e compreensão.

A partir dessa compreensão e do tratamento adequado ele poderá transformar sua depressão em um saber útil, renovado e fresco, que lhe possibilite deixar de sobreviver para passar a viver e conviver.

 

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